Patricia Crepaldi

Planejar é um processo que envolve muitas variáveis e que o professor não pode dispensar, pois os resultados de seu trabalho docente depende dessa atitude inicial.

Muitas vezes, deixamos essa etapa de lado, pois os afazeres diários da sala de aula não nos deixam tempo para planejar, porém, como iremos atuar sem planejar nossas ações didáticas?

Os professores mais experientes não planejam, pois “já sabem como fazer” os mais novos não planejam, pois “é muito complicado e na prática nada funciona” e os planejamentos acabam se tornando documentos burocráticos que enfeitam as pastas das escolas, sem nenhuma utilidade e sem, muitas vezes, relação com o que o professor fará nas suas aulas.

Contudo, elaborar os planejamentos didáticos e os planos de aula são fatores essenciais para o sucesso de um ano letivo, vejamos alguns porquês:

1. Quando planejamos definimos objetivos
Nossas aulas são parte de um contexto de diversas disciplinas que possuem um objetivo comum em cada escola expresso no seu Projeto Político Pedagógico e no seu Currículo e dentro de cada modalidade de ensino, dessa forma, o professor não trabalha sozinho, estabelecendo aquilo que “ele quer ensinar”, mas deve se preocupar com “o que os alunos devem aprender” em cada série, em cada ciclo e para isso é necessário que objetivos claros estejam expressos nos seus planejamentos, sem utilizar palavras difíceis, ou termos pedagógicos da moda, mas pensando objetivamente nos seus alunos, nas suas necessidades e projetando aquilo que eles devem saber no final daquele período planejado.

2. Quando planejamos não improvisamos
É muito complicado quando um professor entra em sala de aula sem saber o que vai fazer naquele dia, pois ele pode propor algo surpreendentemente desafiador para seus alunos e que complementa seus objetivos propostos ou algo que somente preenche o tempo da aula, mas que não acrescenta nada nem para os alunos, nem para o contexto daquele bimestre/ano.

Improvisar em sala de aula pode prejudicar a imagem do professor que passa a ser visto como “enrolador”, gera indisciplina em sala de aula, pois normalmente não tem objetivos, ficam “soltas”, sem relação com os conteúdos estudados e os objetivos propostos.

3. Quando planejamos prevemos os problemas que podemos enfrentar
O professor que tem o hábito de planejar suas aulas passa a levar em consideração o perfil dos alunos que está trabalhando naquele ano, seus pontos fortes e dificuldades, sendo assim, ele de antemão já prevê os problemas e dificuldades que cada conteúdo, cada atividade pode representar e pode de antemão, propor soluções para estes problemas.

4. Quando planejamos distribuímos as atividades em tempo adequado
As atividades não planejadas não possuem um direcionamento e dessa forma podem durar muito ou pouco tempo e o professor não tem como prever, podendo gerar uma expectativa grande nos alunos (para terminar logo) ou frustração (pois não conseguiram terminar a tempo).

É importante pensarmos o tempo de cada atividade proposta, pois assim teremos uma sequência didática, com início, meio e fim de um tema proposto.

5. Quando planejamos avaliamos melhor
Lembrando que a avaliação é parte do processo de replanejamento, onde repensamos o que deu certo e o que não deu, e não somente um mecanismo para atribuição de conceitos aos alunos, podemos, com objetivos propostos e atividades planejadas, verificar com maior precisão os acertos, erros e ajustes necessários para conseguirmos alcançar nossos objetivos.

CARACTERÍSTICAS DE UM BOM PLANEJAMENTO

Um bom planejamento de ensino deve possuir algumas característcas:

a) Coerência e unidade – é a conexão entre objetivos e meios, pois os meios devem ser adequados para atingir os objetivos propostos.
b) Continuidade e sequência – é a previsão do trabalho de forma integrada do começo ao fim.
c) Flexibilidade – é a possibilidade de reajustar o plano, adaptando-os às situações não previstas.
d) Objetividade e Funcionalidade – levar em conta a análise da realidade, adequando o plano ao tempo, aos recursos disponíveis e às características das turmas.
e) Precisão e Clareza – deve ter uma linguagem simples e clara, sem possibilidade de dupla interpretação ou falta de entendimento.

PLANEJAMENTO: AÇÃO DO PROFESSOR

Somente o professor pode fazer seu planejamento de aulas, pois é ele quem convive com as turmas, que conhece as dificuldades dos alunos e pode propor os melhores meios para atingir os objetivos propostos.

O Estatuto do Magistério Paulista, no seu Capítulo XI, onde trata dos direitos e deveres do professor, deixa claro que as ações de planejamento são um dever do professor e que este tem o direito de utilizar as metodologias, recursos, materiais e instrumentos de avaliação que julgar mais adequado.

Quando um professor abre mão de realizar seu planejamento, além de infringir uma norma legal, toda a ação didática fica comprometida pois perde-se o foco dos objetivos que devem ser atingidos, e as aulas podem se tornar uma sequência de enganos que ao final do ano não somam nada na formação dos alunos, frustrando professores, alunos e pais.

Dessa forma, não devemos encarar o momento de planejamento ou sua ação efetiva como uma mera burocracia, mas como um momento para refletirmos e escolhermos as melhores decisões a serem tomadas durante o ano, propormos objetivos e trabalharmos para que eles se tornem realidade, transformando nossa prática em ações sistemáticas, com conteúdo e resultados.

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